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19 3802.2020

Crise beneficia venda no setor de autopeças e acessórios, informa pesquisa da Associação Comercial de SP

Os setores de Farmácias e Perfumarias (-1,5%) e Supermercados (-3,3%) foram os que caíram menos no acumulado de janeiro a agosto

A crise e a queda da renda estão levando o consumidor a investir mais na manutenção de seu veículo, ao invés de comprar um novo. É o que aponta o Boletim n°28 da pesquisa ACVarejo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O levantamento mostra que o setor de Autopeças e Acessórios foi o único com crescimento no volume de vendas nos primeiros oito meses do ano; a alta foi de 3% sobre igual período de 2015. O segmento também se destacou no mês de agosto, com a menor perda (-1%) em relação ao mesmo mês do ano passado.

Por comercializarem produtos essenciais - mais resistentes à crise -, os setores de Farmácias e Perfumarias (-1,5%) e Supermercados (-3,3%) foram os que caíram menos no acumulado de janeiro a agosto. Mas, em agosto, houve retrações de 9,2% e de 11%, respectivamente, explicadas pela intensidade da crise, pela inflação e pelo aumento do desemprego e pela queda da massa salarial.

Maiores quedas

Os segmentos mais dependentes de crédito - mais caro e escasso em 2016 – tiveram as retrações mais acentuadas. O pior resultado foi nas Lojas de Móveis e Decorações, com recuos de 15,6% (no acumulado janeiro-agosto) e de 19,3% (no mês de agosto), em relação aos mesmos períodos de 2015. O desempenho é justificado não apenas pelo crédito, como também pela ligação com o setor de imóveis, prejudicado pela crise imobiliária.

Nas Lojas de Vestuários, Tecidos e Calçados, as quedas foram de 12,5% no período acumulado e de 14,5% em agosto.  

Já o segmento intitulado Outros Tipos de Comércio Varejista apresentou reduções de 11,1% (janeiro-agosto) e de 19,1% (agosto). Foi impactado principalmente pela venda de combustível, que tem caído em decorrência do menor uso de automóvel em tempos de recessão. O setor inclui: combustíveis para veículos automotores; lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria; artigos recreativos e esportivos; joias e relógios; gás liquefeito de petróleo; artigos usados; outros produtos.

Nas Concessionárias de Veículos as quedas foram de 10,3% (período acumulado) e de 14% (agosto). E as Lojas de Departamentos, Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos apresentaram perdas de 10,3% (janeiro-agosto) e de 9,8% (agosto).    

Juntos, todos os segmentos do comércio paulista registraram quedas de 7,3% nos oito primeiros meses do ano e de 12,3% em agosto.   

“Esses resultados negativos continuam sendo explicados pelo maior desemprego, pela contração do crédito e pela queda na renda das famílias, o que puxa para baixo a confiança do consumidor e a disposição para comprar”, diz Alencar Burti, presidente da ACSP e da Facesp. “A recuperação dependerá essencialmente da restauração desses indicadores e da continuidade da redução das taxas de juros”, acrescenta ele.  

A pesquisa ACVarejo é elaborada pelo Instituto de Economia da ACSP a partir de dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e de índices de inflação setoriais extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mudança metodológica

Nesta edição da ACVarejo, o volume de vendas passou a ser calculado a partir de índices de inflação setoriais do Estado de São Paulo, extraídos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A utilização desses índices permite resultados mais precisos para as vendas, ao corrigir os dados do faturamento nominal pela respectiva variação dos preços de cada um dos segmentos considerados, que tende a não ser a mesma.

 

Setores – volume de vendas:

 

Acumulado janeiro a agosto*

Agosto*

Autopeças e Acessórios

 

+3%

-1%

Concessionárias de Veículos

 

-10,3%

-14%

Farmácias e Perfumarias

 

-1,5%

-11%

Lojas de Departamentos, Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos

-10,3%

-9,8%

Lojas de Material de Construção

 

-7,6%

-7,5%

Lojas de Móveis e Decorações

 

-15,6%

-19,3%

Lojas de Vestuários, Tecidos e Calçados

-12,5%

-14,5%

Outros Tipos de Comércio Varejista**

-11,1%

-19,1%

Supermercados

 

-3,3%

-9,2%

TOTAL

 

-7,3%

-12,3%

 

 

 
 






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